Publicado por: Germano Araújo | 24/06/2009

Morrer não é ser deletado: Ausência…

ausencia-02

Alguma coisa me dizia que mais cedo ou mais tarde eu escreveria sobre esse tema. Até comecei a escrevê-lo no início do mês passado mas acabei deixando de lado. No entanto, devido a algumas perdas em tão pouco tempo, me fizeram retomar ao tema.

Outra coisa que me chamou atenção foram os comentários sobre a saudade, em que pude observar que muitos deles relacionavam-se a ausência. Principalmente em relação a saudade de alguém que já partiu, gerando imediatamente em fração de segundos, o sentimento da ausência. A partir desses, resolvi expor minha opinião sobre o assunto.

Ausencia 13A perda e a ausência quase sempre andam de mãos dadas. Não interessa qual a perda. É sempre algo que nos incomoda. A perda de uma simples chave, do ônibus, do emprego, de uma matéria na faculdade, de um amor, de um relacionamento. Enfim, a perda incomoda. E quando se trata de alguém? Quando isso ocorre, aflora não só o sentimento de perda e sim um conjunto de sentimentos que necessitam de algum tempo para ser resolvidos e que acredito que não devem ser apressados. É claro que cada um tem a sua maneira de reagir, mas em geral este sentimento é muito semelhante na maior parte de nós.

Saber lidar com perdas e a ausência deveriam ser um dos nossos grandes aprendizados na vida. Sofremos perdas desde crianças: perdas de amigos de escola, perda do melhor brinquedo e daquele(a) professora que não irá mais nos ensinar. Há fases do nosso desenvolvimento que também envolvem perdas, como perder a inocência da infância para se chegar a adolescência. Ou ainda quando se vai casar ou morar sozinho. Enfim, desde muito cedo convimemos com isso. Mas porque não aprendemos a lidar com essa sensação de perda e/ou ausência? Porque nesses momentos, tentamos nos agarrar em pequenos detalhes, desculpas insólitas ou em algumas soluções mirabolantes para nos confortar?

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Meu primeiro encontro com ela foi na morte de meu avô Pedro Mariano, ainda criança, fomos de Aracaju até a cidade de Tobias Barreto para seu enterro. Confesso que não consegui entender nada do que estava acontecendo, mas me pareceu muito estranho o fato de irmos para lá no imenso silêncio. Somente no cemitério foi quando percebi o que ocorrera e aquilo mexeu comigo ainda muito cedo.

É indescritível o que se sente. É como se a vida não tivesse nenhuma lógica, pois a morte de alguém próximo a nós mata uma parte do nosso coração. A vontade que temos é a de poder buscar de alguma forma uma explicação, ou então, buscar algo que nos dê a certeza de que a vida continua. A dor que essa sensação de perda causa é quase intolerável, julgamos nós na altura, mas tudo se supera, tudo.

Ainda que nós “nunca” mais sejamos os mesmos, o fato de mudar não é torna-se pior. Pode parecer algum jargão de linguagem, mas a melhor coisa que podemos fazer a quem se foi é viver como ele gostaria que a gente vivesse.

deleteDentro desse pensamento cabe aqui uma singela e humilde lembrança que gostaria de deixar registrado de um cara que realmente viveu sem fazer cara feia a ninguém. Pessoalmente nunca o vi de mal humor e de uma simplicidade e humildade fora do comum e sobretudo extremamente prestativo. O nome dele? BOY!! Isso mesmo, Boy.  3 Letras para uma pessoa que lhe caberia um alfabeto inteiro de todos os idiomas pelas coisas que ensinou apenas com suas ações.

Talvez passamos a valorizar menos o dinheiro, o sucesso, a beleza, o poder. Talvez sejamos mais generosos, mais sinceros e abertos com a vida. “Morrer não é ser deletado: aquele que aparentemente nos deixou está preservado no casulo do seu novo mistério, sem mais risco, doença ou tormentos. Não vai envelhecer, nem sofrer, nem se apartar de nós, os vivos. E não os perderemos nunca mais.”

boy

Sds.

Germano Araújo. 

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Responses

  1. belas palavras mano, fato que boy deixou para nos muitas coisas, desde os mais simples jargoes como, “ai e mole pra nois” “Boy o lá” ein, ele sentado no fundo do barraco de palha, com o violao no colo, um ouvido na viola, outro atento ao motor, sempre ensaiando a musica ao qual ele cantou mais que o proprio compositor,”garcon”, lembrar disso tudo me da um pouco de tristeza, porem quando lembro dele realmente, de como ele era, nao consigo sentir tristeza, pelo contrario, lembro sempre com sorriso no rosto das suas frases e do seu jeito simples e amigo de ser, seja do sobrinho de 4 anos ou do avô de 70, ele era sempre o amigo, socorrista, musico, pai de kitut, independente da idade.

  2. TENHO UMA ADMIRACAO ESPECIAL POR ELE
    FIZ DUPLA COM ELE DA SAFADEZA ME DESCULPEM OS OUTROS FOI O MELHOR PARCEIRO QUE TIVE
    CONTINUE PESCANDO EM PAZ MEU AMIGO BOY

  3. É isso aí Germano. Belas palavras.
    Duas coisas que nunca vou esquecer que o Boy me disse:
    “Quem não vive para servir, não serve para viver”
    “Se fazemos alguma coisa errada, temos que saber que estamos fazendo errado e assumir, caso dê merda. O que não pode é fazer o errado achando que tá fazendo certo.”
    Abraço


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