Publicado por: Germano Araújo | 04/03/2009

“Quando se fala a verdade, ainda é vista com desconfiança”

Desconfianca ou Insegurança?

Desconfiança ou Insegurança?

Essa é uma frase que muitas das vezes fazem parte de nossas vidas. Seja em âmbito profissional ou pessoal. Quem não passou por isso?! Desconfiança gera Insegurança? Ou a Insegurança gera Desconfiança? Na minha opinião, as 2 coisas andam lado a lado.

duvidaUns dias atrás eu assisti o filme a “Dúvida”, filme de John Patrick Shanleyo, que adaptou sua premiada peça que conta  com Philip Seymour Hoffman, Meryl Streep, Amy Adams e Viola Davis tendo 5 indicações ao Oscar deste ano. No filme “Dúvida”, Meryl Streep interpreta uma freira rígida que dirige uma escola católica conservadora. Ao longo da história, ela começa a desconfiar do padre da paróquia e cria um círculo de acusações que em momento algum conseguem ser provadas. Tudo fica no ar para o espectador interpretar da forma que quiser. O filme retrata perfeitamente o que a desconfiança é capaz de fazer.

A desconfiança é um terrível defeito porque prejudica gravemente a nossa relação com os outros e a nossa integração na sociedade. Uma pessoa que está sempre a desconfiar dos outros sente-se num mundo hostil, onde todos a querem enganar. Sente-se acossada.  Algumas pessoas procuram a “verdade” durante todo o tempo.Essa procura interminável é fonte de estresse, ansiedade, preocupação e angústia. Há muita dificuldade em reverter o quadro, porque é o tipo de relação que conhecem e na qual se espelham.

É fundamental notar que a desconfiança esteja sempre à procura de um motivo real onde se isntalar e, de fato, nem precisa ser tão real assim: basta ser plausível e pronto! Ela se instala!! De fato, em realidade, para o desconfiado/inseguro típico, não importa que o “outro” faça para evitá-la, pois a insegurança estará sempre presente, à espera de um motivo, já que ela não depende de um motivo real, pois emana do EU. Vice-versa, poderíamos dizer que a Confiança e a Segurança são qualidades energéticas, ou seja, são algo que a gente entrega, pois emana do eu para os outros, ou não existe, de modo algum.

mathew_cook1Se eu confio, não vigio, se confio não me faço um negociante da confiança ou da desconfiança do outro, não me torno um guarda restritivo e muito zeloso de suas posses adquiridas, não me torno um segurança, sempre pronto a cercar e garantir, sempre pronto a proibir e a cercear a liberdade do outro.

Se eu, em nome de minha Insegurança exijo provas diuturnas de que o outro nada tenha feito para merecê-la, então, de fato, de dentro de minha Insegurança, o outro é culpado, a menos que prove o contrário, pois a realidade única que eu permito é a da minha desconfiança e o outro, na verdade, não é levado em conta, e sim, desconsiderado e desrespeitado em sua individualidade, poder de escolha e liberdade. Aí está a raíz psicológica da democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais.

desconfiançaO testemunho do outro vale muito pouco, nas horas negras, pois a desconfiança não permite entrega, não baixa a guarda e o temor engole, em seus subterrâneos mais profundos, todo e qualquer sentimento positivo que se podia nutrir na cena de ciúme e traição que o desconfiado/inseguro constrói. Uma coisa é certa: Ninguém sofre mais com o ciúme e a insegurança, do que o próprio ciumento/inseguro. Trata-se de um grande desperdício de energia e de vida! Quem sofre tanto com este problema faria por bem ocupar-se mais (atentar) para aquilo que ele(a) entrega no relacionamento (pessoal e/ou profissional), e menos, com aquilo que ele(a) recebe.

Assumir a responsabilidade pelo que entregamos nos faz retomar o foco em nós mesmo (e naquilo que emana do eu), assim como nos faz parar de criticar tanto o outro, como se ele fosse o nosso obstáculo de plantão na jornada/caminhada na direção da felicidade e da plenitude. 

O que leva a pessoa a suspeitar muito é o saber pouco! Por isso as pessoas deveriam dar remédio às suspeitas procurando saber mais do caráter do próximo, em vez de se deixarem sufocar por elas. As suspeitas, que o espírito de si próprio gera, não são mais do que zumbidos; mas as que sçao artificialmente alimentadas com histórias e ditos maliciosos, essas possuem venenosos ferrões. Certamente, o melhor meio de abrir caminho na floresta das suspeitas é falar francamente com a pessoa de quem se desconfia; porque assim ter-se-á a certeza de conhecer melhor a verdade do que se conhecia antes, e conseguir-se-á que a pessoa de quem se desconfiou seja de futuro mais circunspecta e dê outros motivos de suspeição.

olhar_

Sds.

Germano Araújo.

Anúncios

Responses

  1. Adorei o texto, Maninho!!!
    Xero e se cuida…

  2. Adorei o texto, mas ficou uma interrogação… quando se desconfia talvez seja porque a omissão faça parte da vida pessoal ou profissional. Quem mantém o diálogo, sempre a verdade, e não dá motivos quaisquer que possa expor ou magoar os mais próximos, por interesses pessoais ou profissionais, não passa pelo fantasma de ser suspeito. Talvez seja o “x” da questão. Quanto à raíz psicológica da democracia aplicada ao campo dos relacionamentos interpessoais, uma coisa é certa: quem ama cuida. Será sempre uma luta do do “Ego” dizendo não, e o “Superego” dizendo cuida. Assim explica a Psicologia.

  3. Concordo com você. Mas somente quando há omissão. O problema é identificar se há ou não omissão. Quem é desconfiado/inseguro dificilmente sabe percebê-la uma vez que tudo será suspeitoso.

    Obrigado pelo comentário.

  4. Adorei o texto. Mas alguns “pequenos” comentários. Quando você diz que a desconfiança é um terrível defeito, eu discordo, pode-se dizer que em excesso ela seja terrível, mas sendo ponderada, faz bem.
    Um outro ponto é quando se trata da individualidade. Cada um tem a sua, e têm que respeitar a do outro. Mas até que ponto prevalece a sua individualidade em um relacionamento. Se você a coloca acima dos interesses da equipe (lado profissional) ou acima do interesse do relacionamento (seja amigos, pais/filhos, marido/esposa), as pessoas já não vão te ver com a mesma confiança. Às vezes é preciso se entregar mais, se menos individualista. Isto sim, gera confiança. E a atitude individualista gera desconfiança.
    A frase que eu gostei foi “O que leva a pessoa a suspeitar muito é o saber pouco!”. Mas ai vem a pergunta: sabe pouco porque não procura saber, ou porque o outro não dá abertura para se conhecer? Ai leva ao ponto anterior da individualidade.
    Quanto ao comentário da Aninha, concordo plenamente. Às vezes uma pequena omissão, seja ela inocente ou não, pode causar uma desconfiança no outro enorme. E abrir o precedente para a insegurança.
    Ou seja, o melhor é sempre falar a verdade, doa a quem doer.
    Bjos.
    P.S.: Te amo.

  5. Belo blog sobre psicologia!!!

    Frequentarei aqui mais vezes!

    Esse post realmente tem a ver com o que eu procuro sobre psicologia!

    se quiser que eu publique algo de sua autoria, é só falar que eu coloco no meu blog com sua identificação e endereço do blog!

    da uma olhada no http://psicologiaparatodos.16mb.com

    abraços!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: